Sobre

Arnaldo Lourenço

Vivo em Pinelo, uma aldeia grande, mas com poucas pessoas. É uma aldeia muito dócil, inserida num vale, encostada ao Rio Maçãs. Como está protegida das geadas e dos ventos, há oliveiras, castanheiros, amendoeiras e vinhas com fartura. Mas há cada vez menos pessoas. Quando vou para o estábulo, atravesso a aldeia e não vejo quase ninguém. Daqui a 10 anos não sei o que vai ser disto.

Sou filho de agricultores, e pode-se dizer que praticamente nasci no meio das vacas. O meu avô tinha seis juntas de bois que usava na agricultura. Hoje são usados tratores, mas dantes esse trabalho era feito pelos animais.
...fico lá 2 ou 3 horas com os animais. Penteio-os e brinco com eles. Todos têm nome. Os animais são como as pessoas, gostam de ser acarinhados e têm o direito de serem protegidos.
Fui trabalhar para a GNR com 20 anos. Casei e tive 3 filhos. Apesar de, enquanto fui GNR, ter andado mais de 30 anos entre Lisboa e o Porto, consegui manter a atividade agrícola e a criação das vacas com a ajuda da minha mulher, que ficou cá. Depois reformei-me e dediquei-me em exclusivo a esta vida. O meu filho mais novo também gosta muito disto e percebe de vitelos. Embora eu ache que ele está preparado para me substituir, não sei se vai querer ficar com a atividade.

Já ganhei vários prémios nos concursos e nas lutas. Trabalhei muito para os ganhar.

No inverno, quando as noites são grandes, por volta das 22h/23h vou até ao estábulo e fico lá 2 ou 3 horas com os animais. Penteio-os e brinco com eles. Todos têm nome. Os animais são como as pessoas, gostam de ser acarinhados e têm o direito de serem protegidos.